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Diálogo contemporâneo nas Bahamas

O ruartecontemporânea resolveu viajar por aí, pois o universo plural de pesquisas e suportes encontrado entre os artistas nos mobilizou a desbravar o mundo.

 

Desbravar, pois assim encontramos excelentes artistas, em início de carreira ou não, dispostos a enfrentar o desafio dos sentidos na arte contemporânea. Muitos desses artífices, por conseqüência, enfrentam diversas frentes de trabalho e, por vezes, constrõem um multifacetado arco de pensamento.

 

Seguimos nosso caminho pela Kalunga Grande e topamos com os primeiros sinais de terra da nossa jornada. Estamos nas ditas Ilhas Bahamas. Lugar conhecido por sua beleza paradisíaca e que possui uma profícua rede de artistas contemporâneos.

 

Destes, escolhemos dois. Ambos, outrora, estiveram por aqui, na 22ª Bienal de São Paulo, são eles: Burnside e Antonius Roberts.

 

Antonios Roberts e Stam Burnside são desses artistas que embora possuam uma sólida formação profissional e universitária, alicerçadas em certo respeito à academia e a produção européia, revelam, em suas obras, uma estética marcada pela ancestralidade africana, seus trabalhos acompanham o lastro deixado pelas pegadas dos antepassados negros.

 

Organizaram e participaram de um núcleo de artistas de Bahamas chamado B-cause(Bahamian Creative Artists United for Serious Expression) que não se limitava à discussão da teoria, mas tinha um compromisso com a consciência profissional, identidade, busca, originalidade e auto-análise. Esta experiência produziu um rompimento com estilos descritivos e narrativos do colonizador e revererbou a idéia de que o país transcende o gênero postal.

 

Burnside funcionou como mentor das propostas, étnicas, ecléticas e estéticas do referido grupo. Em suas obras, ele conceitua metodicamente a transferência de sua visão de cosmos, fiel a léxico figurativo. Trabalha com máscaras e as mesmas ostentam uma forte carga psicológica, suas pinturas alojam, conscientemente, protagonistas que ora são espíritos ou forças ocultas, ora são personagens reais.

 

 

 

Em outra vertente, Antonio Roberts da vasão a exuberância e ao frenesi, sem perder a estridência e o máximo calor da cor. Em suas obras sonoridade e compassos parecem instigar os movimentos de uma pincelada volúvel, de uma paleta ardente. Algumas de suas pinturas parecem nos transportar para o vibrar excitante dos carnavais do Bahamas.

 

Uma breve olhada na produção de Robert e nos deparamos com um artista que imprimi uma constate definição no campo do suporte e se renova coerentemente por toda sua carreira.

 

Um bom registro dessa virada é a série chamada Sacred Space. Estas seriam instalações das figuras fêmeas de mortos. A primeira das séries consistiu em 12 figuras, apresentadas em dos primeiros locais da aterragem dos escravos nas Bahamas. O artista tem criado instalações similares em outros locais do país.

 

Acesse o endereço abaixo e conheça a produção de outros artistas da Ilha de Bahamas:

http://www.artistsofthebahamas.com/

 

 



Escrito por Rogério José às 19h37
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A arte está ficando cada vez mais democratica ou está empobrecendo?  

Compartilhando com vocês o elixir do otimismo, vou explorar essa pergunta a partir dos artistas priorizados nessa primeira fase do blog.  Como preliminar, devo admitir não ter restrições de ordem estética ou acadêmica ao debate da arte e sua criação por diferentes classes sociais. Se você quiser ler só sobre artistas renomados e famosos, pare aqui. Este blog é uma polêmica orgia de artistas, no qual se registra toda experiência artística do autor com a obra. Não haverá censuras, pudores, elistimos, intelectualismos. O conhecimento será subordinado à busca de compreender a obra(e suas especificidades), e não o contrário. No entanto, é importante (e necessário) que haja divergências, discussões etc

 Tudo isto produz dinamismo e neste espaço queremos que os conceitos sejam cotidianemente confrontados. Polêmicas a parte, a arte contemporânea nos municia  no processo de estranhamento e questionamento da linguagem e da leitura da obra. Sendo assim, temos que utiliza-lá a nosso favor e ampliar, cada vez mais, o olhar e o número pessoas que determinam o que é, e o que não é arte.

O primeiro artista do nosso blog é um morador de rua, popularmente conhecido na Glória como Careca. Seu trabalho é uma interessante experiência de  Site Specific. O autor monta suas obras em um ambiente e um espaço determinado: o chão da calçada. Sua produção resulta de planejamentos e convites. Careca expõe a pedido dos transeuntes que oferecem moedas e objetos velhos, para que ele revenda coisas na ferinha da Glória. Numa sensibilidade artística peculiar, suas obras dialogam com meio circundante, através dos elementos usados para compô-la. Molduras velhas, carvão, o chão da calçada, guimbas de cigarros, meias velhas, tintas usadas. Todo o material usado em seus trabalhos ou é fruto de doações dos moradores da região, ou são materiais encontrados na rua.

Careca, cotidianamente, retorna para as bugingangas da feirinha da Glória e as transforma em arte, caracterizando um significativo aspecto urbano das experiências artísticas.  Expostas no chão, suas obras são efêmeras. Se uma das partes que a compõe é comprada, o todo perde sentido. Outros aspectos que contribuem para sua efemeridade são as chuvas e o “rapa” (guarda municipal que apreende o material do morador de rua). No primeiro caso, os desenhos de carvão ou giz, feitos ao ar livre, são rapidamente dissipados pela água. Já no segundo caso, as inúmeras investidas dos guardas municipais para apreender estes objetos velhos, impede qualquer manutenção da obra no local em que foi criada.  A obra do Careca constrói-se a partir desse diálogo, integra-se ao entorno e não pode ser transportada para outro lugar.

 

 

Aqueles que não relutarem em enquadrar a obra do Careca no campo do Site Especific poderão desfrutar desta rica experiência artística fora do eixo e refletir sobre a seguinte pergunta: A arte está ficando cada vez mais democratica ou está empobrecendo?  

Convido vocês a visitarem o artista Careca , que fica aos domingos na Rua da Glória, em frente ao Amarelinho da Glória e conhecerem de perto sua produção. Não esqueçam, cheguem antes do rapa.

Em breve, divulgaremos aqui uma exclusiva entrevista com o artista Careca.

 

 



Escrito por Rogério José às 18h41
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Blog Ruartecontemporânea é um espaço de divulgação e discussão de obras e conceitos da arte contemporânea, bem como objetiva também debater o papel da mediação dos arte-educadores que promovem a interface entre obra, curadoria, artista e público.   Os temas debatidos no blog buscarão compartilhar experiências, trabalhos, textos, entrevistas, tornando-se mais uma ferramenta de participação dos sujeitos de diferentes segmentos da sociedade .



Escrito por Rogério José às 13h27
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